terça-feira, 29 de maio de 2012

O jogo de mahjong

Mahjong é o jogo mais popular da China e de outros países da Ásia.

Sentam-se quatro pessoas na mesa, cada uma pega suas cartas (pedrinhas), arrumam - as em seqüência, busca uma nova pedrinha substituindo outra e melhorando o perfil até se conseguir uma boa seqüência. Pronto, bateu, ganhou dos três companheiros. Pagam, o ganhador recebe, e o jogo prossegue.

Mahjong faz o jogador relaxar, esquecer os problemas da vida. O jogo tem uma função terapêutica.

Durante o jogo é possível observar se a pessoa é hesitante, gananciosa, calma ou nervosa. Muitas vezes, a sogra escolhe o genro pela forma inteligente que joga. Se é calmo, de bom comportamento, sem se queixar das cartas ou da vida; se ganha ou perde com dignidade e bom humor. Na semana seguinte, a dona de casa convida o rapaz para jogar na mesma mesa que a sua filha. No final, o jogo abre caminho para namoro e casamento.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Venda Descoberta

Jim Chanos, um investidor-especulador que é especialista em venda descoberta, alerta o mercado com as seguintes dicas: Petrobrás é uma ATM gigante para o governo brasileiro.

O governo, não a Petrobrás nem o mercado de petróleo, é quem determina os preços dos combustíveis. O governo protela o reajuste do preço da gasolina para não aumentar o índice de inflação, pouco importando o lucro da Petrobrás.

São alvos também para venda descoberta, as ações de bancos chineses, o ICBC, Bank of China, etc, dos quais o governo chinês é acionista majoritário. O Banco Central determina o requisito de reserva, o nível do compulsório e as taxas de juro (ultimamente o Banco Central do Brasil manda a Caixa Econômica e o Banco do Brasil cortar os juros, diminuindo o spread com a taxa Selic).

As políticas das empresas e dos bancos devem ser determinadas pelo mercado, não pelo governo. A obrigação primária dos dirigentes é com o lucro para os acionistas, longe das manobras do governo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sociedade de Consumo

Se, conforme Stephen Roach, citado no meu artigo anterior, a China está caminhando para se tornar uma sociedade de consumo (keynesiana), os investidores do mundo já estão atentos a esta transformação. Dos Estados Unidos, as exportações para a China, as aeronaves (Boeing) e equipamento de construção (Caterpillar) devem ter ritmo de crescimento menos acelerado e as vendas de soja e milho devem aumentar.

Do Brasil, as exportações para a China de minério de ferro, produtos siderúrgicos devem sofrer estagnação, e Brasil Foods, Marcopolo devem aumentar suas vendas para satisfazer a demanda dos consumidores. Para garantir acesso aos milhões de consumidores chineses, a Apple e a Walmart estão aumentando o número de lojas. É um negócio da China!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Entrevista com Stephen Roach

Stephen Roach, ex-chefe economista do Morgan Stanley, analisou a situação econômica e política da China numa entrevista na Bloomberg.

O Primeiro Ministro da China admitiu que a taxa de crescimento anual diminuiu para 7,5%, atingida pelo choque de demanda externa duas vezes nos últimos três anos – primeiro, dos Estados Unidos, e agora da Europa. A China deve mudar o modelo de crescimento para consumo interno. Essa transformação não será fácil pelo fato de que a política econômica orientada pela exportação tem sido um sucesso extraordinário nos últimos 32 anos.

Bo Xilai, membro do Poliburo, chefe do Partido Chongquing, advoga a ressurreição das empresas estatais e o poder do Estado em acelerar o crescimento econômico, em contraste com a reforma orientada para o mercado introduzido em 1990. Ultimamente, o governo central anunciou que a política do Partido Chongquing não é aceitável, e Bo Xilai foi para a rua.

Sobre a valorização do renminbi, que de fato subiu 30% desde 2005, Stephen Roach observou que embora o superávit chinês tenha diminuído a China ainda tem um grande superávit bilateral com os Estados Unidos. Isso é uma fonte de tensão contínua entre os dois países. Devemos lembrar que os Estados Unidos têm déficit comercial com 88 países. Não podemos culpar somente a China. Esse déficit comercial multilateral é devido ao fato de que os Estados Unidos deixam de poupar e dependem de importação de capital e poupança para crescer. Devemos deixar o mercado determinar os valores das moedas e reconhecer que a economia americana pós-crise precisa de uma nova fonte de crescimento. Exportação deveria ser a mais importante fonte de crescimento e a China é o nosso terceiro maior mercado de exportação. Devemos ter melhor acesso ao mercado chinês, especialmente quando eles se transformarem em uma sociedade de consumo. A China deve investir em infra-estrutura nas regiões central e oeste, para redistribuição de emprego, onde o salário é mais baixo. E a produtividade tem aumentado o suficiente para compensar o aumento de salário. Portanto a China continua muito competitiva. A China tem política consciente de aumento de salário, incrementando a renda pessoal para consumo.

É impressionante como a China opera com estratégia. Plano de 5 anos (já é o décimo segundo plana de 5 anos) é o roadmap (guia) de como eles querem dirigir a economia. Eles prometem e eles entregam.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Comentários de Alexandre Garcia

Caro leitor, estou sem argumentos para contestar este ianque. Afinal, a moda nacional brasileira é a aparência. Cada vez mais vamos nos convencendo de que não é preciso ser, basta parecer ser. E, afinal, gastando muito, a gente aparenta ser rico. Realmente é difícil comparar esta grande nação chamada Eua que desde o seu descobrimento teve uma colonização de povoamento, com o nosso país que foi colônia de exploração por mais de 300 anos, com nossas riquezas sendo enviadas para Portugal. E hoje ainda sofremos com essa exploração, só que dos próprios governantes que pilham e enviam nossas riquezas para suas contas bancárias em paraísos fiscais. E não fizemos nada para promover uma mudança radical de atitudes, conceitos e afirmação de nossa dignidade. Precisamos sair deste comodismo que estamos vivendo ou o sonho do país do futuro será apenas um ideal na boca dos demagogos que estão no poder.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Quem é mais rico? O Brasil ou os Eua?

Carta recebida por Alexandre Garcia (da Rede Globo), enviada por um amigo americano:

“Caros amigos brasileiros e” ricaços “: vocês brasileiros pagam o dobro do que os americanos pela água que consomem embora 25% da reserva mundial de água doce esteja no Brasil. Vocês pagam 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade embora 95% da produção de energia seja hidrelétrica (mais barata e não poluente). Enquanto nós, americanos pobres, somente podemos pagar pela energia altamente poluente, produzida por usinas termelétricas à base de carvão e petróleo e as perigosas usinas nucleares.

E por falar em petróleo, vocês brasileiros pagam o dobro pela gasolina, que ainda por cima é de má qualidade e que acaba com os motores dos carros (misturas para beneficiar os usineiros de álcool). Seu país é quase auto-suficiente em produção de petróleo (75% é produzido aí) e ainda assim têm preços tão elevados. Aqui nos Estados Unidos nós defendemos com unhas e dentes o preço de combustível que está estabilizado há anos em US$ 0,30. Gasolina pura, sem mistura.

E por falar em carro. Vocês brasileiros pagam R$ 40 mil por um carro que custa R$ 20 mil nos Eua. Vocês dão de presente para o seu governo R$ 20 mil para gastar e não se sabe com que e nem aonde, já que os serviços públicos no Brasil são um lixo perto dos serviços públicos nos Eua. Na Flórida, nós somos muito pobres; o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMS do Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil vocês são muito ricos, já que, afinal, concordam em pagar 18% só de ICMS.

E já que falamos em impostos. Eu não entendo porque vocês alegam serem pobres, se, afinal, vocês não se importam em pagar, além desse absurdo ICMS, mais PIS, COFINS, CPMF, ISS, IPTU, IR, ITR e outras dezenas de impostos, taxas e contribuições, em geral com efeito cascata, de imposto sobre imposto, e ainda assim fazem festa em estádios de futebol e nas passarelas de Carnaval. Sinal de que não se incomodam com esse confisco maligno que o governo promove, lhes tirando 4 meses por ano de seu suado trabalho. Um brasileiro trabalha 4 meses por ano somente para pagar a carga tributária de impostos diretos e indiretos.

Nós americanos somos extremamente pobres, tanto que o governo isenta do imposto de renda todos que ganham menos de US$ 3 mil por mês, enquanto aí no Brasil, os assalariados devem viver muito bem, pois pagam imposto de renda todos que ganham a partir de R$ 1.200. Além disso, vocês têm desconto retido na fonte, antecipando o imposto para o governo, sem saber se vão ter renda até o final do ano. Aqui nos Eua, nós declaramos o IR apenas no final do ano, e caso tenhamos tido renda, aí sim recolhemos o valor devido aos cofres públicos.

Aí no Brasil vocês pagam escolas e livros para seus filhos, porque afinal, devem nadar em dinheiro, e aqui nos Eua, nós, pobres de país americano, como não temos toda esta fortuna, mandamos nossos filhos para excelentes escolas públicas com livros gratuitos. Vocês, ricaços do Brasil, quando tomam um empréstimo pessoal no banco, pagam por mês o que nós, americanos pobres, pagamos por ano.

Caro amigo brasileiro, quando você me contou que pagou R$ 2.500 pelo seguro do seu carro, aí sim eu confirmei a minha tese: vocês são podres de rico!!! Por meu carro grande e luxuoso, eu pago US$ 345. Quando você me disse que também paga R$ 1.700 de IPVA pelo seu carro, não tive mais dúvidas. Nós pagamos apenas US$ 15 de licenciamento anual, não importando qual o tipo de veículo. Afinal quem é rico e quem é pobre?

Aí no Brasil, 20% da população economicamente ativa não trabalha. Aqui não podemos nos dar ao luxo de sustentar além de 4% da população que está desempregada. Não é mais rico quem pode sustentar mais gente que não trabalha???”.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Goodbye e Goodbuy

Nelson Bocaranda, colunista do Jornal El Universal de Caracas, Venezuela, revelou que Hugo Chávez tinha câncer cinco dias antes do Presidente venezuelano ter anunciado que os médicos de Cuba removeram um tumor de sua área pélvica. No dia 20 de fevereiro o colunista escreveu no Twitter que Chávez tinha viajado em segredo para Cuba para mais uma cirurgia. A especulação, antes negada pelos partidários de Chávez, foi confirmada pelo Presidente um dia depois.

Em semanas recentes, investidores têm comprado debêntures venezuelanas, especulando que Chávez está fraco demais para a campanha de reeleição, o que seria bom para a economia. O candidato de oposição, Henrique Radonski jurou que vai eliminar políticas como o controle de moeda (que já dura 13 anos), e que segundo ele é o culpado pela inflação galopante e a falta de leite e farinha. Os preços para os consumidores subiram 26% em janeiro, comparados com um ano atrás, a taxa mais acelerada entre 83 economias pesquisadas pelo Bloomberg.

As divulgações de Bocaranda causaram um rally nas debêntures venezuelanas. O rendimento das debêntures caiu 32 pontos básicos, para 11,55%, em menos de 4 horas de negociação em 21 de fevereiro, após Bocaranda noticiar que Chávez estava em Cuba. As debêntures venezuelanas subiram 30% desde a revelação da doença de Chávez há nove meses.

Ofereço este artigo apenas para ilustrar como os investidores espertos faturam até em cima da doença de um presidente de república.

Eu não compro bonds, nem gregos, nem venezuelanos.

Num artigo separado, Peter Oppenheimer, chefe “global equity”, estrategista da Goldman Sachs em Londres, escreveu: “como o MSCI World Index está negociando a 13,2 vezes o lucro projetado, após a queda de 7,6% em 2011, está na hora de dizer “goodbye” aos bonds e “good buy” às ações que devem embarcar numa tendência altista para os próximos anos. As perspectivas de lucro em ações (versus bonds) são tão boas quanto eles tinham sido há uma geração”.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Especulações e previsões

No meu blog, em fim de janeiro de 2012, especulei que Coréia do Norte, sob o comando do jovem líder Kim Jong Um, deve iniciar algumas reformas no campo político-econômico do país.

Em fim de fevereiro, um acordo foi anunciado entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos de que o regime comunista paralisa o desenvolvimento de armas nucleares e lançamento de mísseis em troca de 240 mil toneladas de alimentos fornecidos pelos EUA. Como tática de negociação, os diplomatas americanos precisaram reforçar repetidas vezes que os EUA não tinham interesse em derrubar o regime. A Secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que o acordo representa um passo modesto na direção correta.

O acordo foi assinado em Pequim. No xadrez diplomático da negociação com a Coréia do Norte, EUA e Europa jogam do mesmo lado da China, que foi fundamental para a costura do acordo. Os chineses não têm interesse algum em ver, na sua vizinhança, mais uma nação armada com a bomba atômica – bastam Índia e Paquistão.

Um dos maiores prazeres da vida profissional é quando ocorre um evento que você previu. Claro, o prazer é maior ainda se o evento previsto beneficia a economia, a sociedade e o mundo, tal como cessar fogo, queda de regime ditatorial, queda de juro, alta da bolsa. Não tem nenhuma graça se a previsão acerta eventos como terremoto e tsumani, guerra e destruição, doença e morte.

Minhas outras previsões são a queda do regime da Síria, o bombardeamento de Israel sobre as instalações nucleares do Irã e a reeleição de Barack Obama. Especulação não deixa de ser um bom passatempo.

terça-feira, 13 de março de 2012

Bonds – “shorter is better”

Steve McDonald, bond expert do Oxford Club, oferece o seguinte artigo sobre bonds americanos – treasury ou corporate.

Quando sobe a taxa de juro, o valor de mercado de todos os tipos de bonds – treasury ou corporate – cai. A extensão da queda do valor de mercado é uma
função do prazo de vencimento (maturity).


Maturity x flutuação de preço conforme taxa de juro

Maturity +1% +2% +3%
30 anos - 84.50 - 72.32 - 62.58
10 anos - 91.82 - 84.41 - 77.68
5 anos - 95.62 - 90.40 - 85.20
2 anos - 98.05 - 96.15 - 94.29


Com o aumento de 2% de taxa de juro, o treasury bond de 30 anos cai do par value de $ 1.000 para $ 723,20, enquanto o treasury bond de 2 anos cai somente para $ 961,50.

Para diminuir o risco do aumento de juro, ele sugere o sistema de “ladder” (escada).

Por exemplo:

Bonds Maturity Rendimento anual
American General Finance 15/09/2013 6.07%
GMAC (General Motors Acceptance Corp.) 15/03/2016 7.50%
CIT Group 15/11/2021 8.47%
SLM Group 15/06/2024 7.85%
Albertson’s 01/05/2030 9.78%

Este portfolio de corporate bonds tem média de maturity de 10 anos, e média de rendimento anual de 7.93%. Embora o bond de “short maturity” tenha um rendimento menor, ele reduz a queda de valor de mercado do portfolio quando subir a taxa de juro.

Ele sugeriu que os bonds tenham “ratings” de B a BBB, e a média de maturity entre 3 a 5 anos. “Não importa quanto suba a taxa de juro, o bond com bom” rating “e maturity curto não vai quebrar a cara como os bonds de 10 a 20 anos”.

Se você possui bonds que vencem a cada ano, você tem sempre um novo cash para reinvestir em outro bond, aproveitando ocasiões de crescente taxa de juro (comprar mais barato).

A maior vantagem do bond de “short maturity” é limitar a maior ameaça do bond, que não é o mercado e nem a taxa de juro, e sim a inflação. A inflação não é um tópico por enquanto. Mas um dia ela será!

Toda discussão é irrelevante se você pretende segurar o bond até o vencimento. No vencimento você receberá o principal (100%) e o ganho de capital (se o bond foi comprado com desconto) e teria recebido todos os juros, não importa o quanto flutuou o valor de mercado.

Compre um determinado bond somente quando você estiver satisfeito com a remuneração estipulada e pretender segurá-lo até o vencimento. Se o bond subir no mercado antes do vencimento, isso seria uma boa surpresa, mas não uma expectativa.

Melhor de tudo, você dormirá melhor à noite. Isso é a qualidade mais benéfica de qualquer bond.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Taxa de Câmbio

No fim de fevereiro de 2012, o Banco Central Europeu repassou 529 bilhões de euros, com prazos de refinanciamento de três anos, a 800 bancos. O valor superou a estimativa do mercado, de 450 bilhões de euros.

Logo depois do anúncio, os negócios abriram no Brasil com forte demanda pelo real. O interesse pela moeda brasileira era apenas uma amostra da avalanche de recursos que pode aportar na esteira da súper injeção nos bancos europeus. Isso porque parte dos recursos emprestados pelo BCE acha seu caminho para mercados emergentes em busca de juro mais alto. O destino preferido é o Brasil.

No dia 28/02/2012, o dólar foi cotado abaixo de R$ 1,70 (R$ 1,6956). No dia seguinte o Banco Central interveio e o dólar subiu para R$ 1,7177.

As medidas adotadas pelo BC:

a) BC compra e estoca dólar, com freqüência diária
b) Taxação de IOF de 6% para entrada de dólar em troca por real
c) Continuar baixando a taxa de juro – na próxima reunião do Copom no dia 6 e 7 de março, cortar a taxa Selic em 0,75%, para 9,75%

Neste cenário, não vejo o dólar abaixo de R$ 1,70. Se o preço do petróleo baixar para $ 80 - $90, e o dólar ficar mais forte contra o euro e outras moedas do mundo, o real pode desvalorizar para 1,80.

Quando o dólar baixa para R$ 1,70, o BC compra dólar; quando sobe para R$ 1,80, o BC vende dólar. A oscilação entre 1,70 e 1,80 é a “faixa de estabilidade” que se especula para os próximos meses e no curso do ano de 2012.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mercado de Trabalho

Além da queda de taxa de juro, a queda de desemprego é um fator coadjuvante de otimismo na economia brasileira.

O IBGE divulgou os seguintes dados sobre o desemprego no mês de janeiro:

Janeiro - ano/taxa média de desemprego
2007 - 9,3%
2008 – 8,0%
2009 – 8,2%
2010 – 7,2%
2011 – 6,1%
2012 – 5,5%

Por região metropolitana, em janeiro de 2012:

Salvador – 8,2%
Recife – 5,7%
Rio de Janeiro – 5,6%
São Paulo – 5,5%
Belo Horizonte – 4,5%
Porto Alegre – 3,9%


O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sustentou que os brasileiros ainda não alcançaram a situação de pleno emprego. A ocupação está crescendo de forma quantitativa e qualitativa, com aumento de vagas com carteira assinada e do rendimento real do trabalho, ou seja, reajustes que ficam acima da inflação. Este quadro significa que o padrão de crescimento do país mudou para melhor. “O que temos hoje no país é um mercado informal grande, pessoas com subocupação e rendimentos médios baixos que não condizem com a situação de pleno emprego.”

Se o pleno emprego é a meta do governo e da sociedade, estamos no caminho para atingi-la. “No trilho do progresso” é melhor do que “a chegada ao destino”. Após ter atingido a meta de pleno emprego, existe o perigo de retrocesso. A inflação começa a reaparecer, o governo começa a apertar, a taxa de juro começa a subir e a economia começa a resfriar e encaminhar para “downward cycle”.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Otimismo

No meu último artigo, em 20/01/2012, a Bovespa atingiu 62.312 pontos, com alta de 9,8%, comparado com 56.754 pontos no fim de 2011. Hoje (17/02/12) o índice atingiu 66.203 pontos, com alta de 16,65% sobre o índice do ano passado. Agora vamos pular o Carnaval com tranqüilidade e alegria.

Todos os mercados do mundo - americano, Europeu, Asiático - estão com perspectiva otimista. O Congresso Americano aprovou a extensão da isenção de "payroll tax”, e o número de desempregados continua caindo.

Na Europa, há expectativa de que a ajuda internacional à Grécia será anunciada até o fim de fevereiro. (Até a China está disposta a contribuir, comprando debêntures da Grécia).

Mas o mais importante é a queda de juro em todos os países do mundo. Nos Estados Unidos, o FED não tem como baixar o juro, já que está a taxa zero (o FED indicou a manutenção de taxa zero até 2013/2014). O país que tem mais fôlego para queda de juro é o Brasil. Mesmo que a taxa Selic caiu 2% (4 vezes de 0,5%) nos últimos seis meses, para 10,5%, a taxa real é a mais alta do mundo civilizado. Estou apostando na queda contínua do juro real no Brasil – o fator principal da minha percepção de otimismo com o avanço das atividades da economia e o mercado de ações

(artigo escrito em 17 de fevereiro de 2012)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A queda de juro

Desde a virada do ano, a Bovespa, com três semanas sucessivas de altas, atingiu 62.312 pontos, com valorização de 9,8%.

A trajetória da taxa Selic: do pico de 12,5%, em 20/07/2011, caiu 4 vezes de 0,5%, para 10,5% em 18/01/2012.

Todos os países do mundo estão baixando os juros para prevenir uma recessão.

Na China, o ritmo da inflação caiu para 4%, com a atividade da manufatura desacelerando de 9,8% para 8,8%.

Nos Estados Unidos, o presidente Obama não pode arriscar a reeleição com o desemprego em alta e o consumo doméstico em baixa. O FED já manifestou o prolongamento da política de taxa zero, que o mercado acha que vai continuar, pelo menos até a eleição (o FED não é tão independente num ano eleitoral).

A Europa, se não está em recessão, pelo menos não está crescendo (estagnação). Os preços dos bonds europeus, de Portugal, Espanha, Itália e Grécia, estão subindo e os juros caindo – uma percepção do mercado de que o pior já passou.

Num efeito dominó, os países do mundo, um após o outro, estão abrindo a torneira, injetando liquidez, baixando juros para aumentar o consumo e diminuir desemprego.

A ansiedade dos países em sair da recessão, a perspectiva de inflação baixa e de queda gradual e contínua de juro real no Brasil deve estimular a economia e a bolsa no ano em curso.

Um efeito colateral: juro real alto atrai capital estrangeiro. A conversão de dólar para real valoriza a moeda brasileira, com efeito de aumento de importação e diminuição de exportação, criando desequilíbrio no balanço de pagamento.
O governo e o Banco Central sabem muito bem que juro real alto e câmbio excessivamente forte não são benéficos para o bem estar da sociedade e do povo brasileiro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Kim Jong Un – Coréia do Norte

Após a morte de Kim Jong IL, o filho dele, Kim Jong Un, foi proclamado o comandante Supremo do Exército da Coréia do Norte. Ele é a terceira geração da dinastia comunista.

Pouco se sabe sobre Kim Jong Un. Ele tem 28 anos e estudava na Suíça.

Diante dos protestos, revoltas e revoluções dos países do Norte da África contra as ditaduras faço as seguintes perguntas e observações:

Clemenceau, Chanceler da França, do século passado, comentou:

“Se você não é socialista com 20 anos de idade, você não tem coração; se você ainda é socialista com 30 anos de idade, você não tem cabeça”. Como Kim Jong Un está se aproximando dos 30 anos de idade, ele deve estar mais esclarecido sobre a visão do mundo.

Ele estudava na Suíça, país pequeno, mas com democracia plena. Ele deve saber comparar a vida do povo suíço com a vida do povo norte-coreano sob o regime da ditadura de seu avô e de seu pai. Quem sabe o pai o mandou intencionalmente estudar na Suíça e outorgou a ele a tarefa de reformar o país após a sua morte?

Uma analogia com a Alemanha. Com a queda do muro de Berlim, a Alemanha Ocidental incorporou a Alemanha Oriental, e não vice-versa. Desta vez, especulo que, sob a liderança de Kim Jong Un, a Coréia do Norte vai se aproximar da Coréia do Sul e instituir as reformas.

Com ou sem protestos, revoltas e revoluções o povo opta pela liberdade e democracia. O mundo não tem outra saída. É o que Francis Fukuyama chama de The End of History.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Protestos

Em janeiro de 2011, os protestos dos povos do Norte da África contra a ditadura e corrupção começaram na Tunísia, seguidos pelo Egito, onde Mubarak foi forçado a deixar o poder após 30 anos de ditadura. Simultaneamente, no Iêmen, após a matança de centenas de civis em protesto, o regime caiu em novembro com a renúncia de Saleh. Eleição presidencial foi prometida para o início de 2012.

Em fevereiro de 2011, as tropas da Líbia mataram centenas de pessoas que protestavam pacificamente até que os protestos viraram revolução e Qaddafi foi morto em outubro.

A revolta na Síria contra o regime de Bashar Assad ainda não tem definição após a morte de 3.500 civis. A Liga Árabe pediu que Assad acabe com a matança. O Syrian National Council, que representa a oposição, está formulando planos para acabar com Assad. Já existe proposta para os Estados Unidos interferirem no conflito (como na Líbia). E a eventual queda de Assad deixaria o Irã com um aliado a menos.

Na Nigéria, o povo protestou contra a retirada do subsídio no preço da gasolina que subiu 100%. Protestos contra a inflação e o desemprego existem em qualquer canto do mundo. Não são diferentes dos protestos na Grécia, Itália e Espanha que se dispersaram com o tempo. O perigo do protesto se encaminhar para revolta e revolução associa-se à vida decadente do povo sob regime da ditadura. Acordem antes que seja tarde demais, Cuba e Coréia do Norte!

No Brasil, o povo não tem muita coisa para protestar, a não ser contra a corrupção, burocracia e assaltos.

Após concluir meus estudos nos Estados Unidos, em 1954, meus colegas voltaram para Hong Kong, Taiwan e China, ou permaneceram nos Estados Unidos. Eu viajei para o Brasil como turista e aqui permaneço até hoje. Foi sorte que eu escolhi um país com liberdade e democracia.